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Remate Digital

Filipa Galrão a locutora da Mega Hits apaixonada pelo Benfica

Filipa Galrão é a primeira entrevistada do sexo feminino do Remate Digital, a quem desde já, agradecemos pela disponibilidade demonstrada e pela cooperação com o nosso projecto. 

Declaradamente "viciada" no Benfica e em health and fitness, Filipa Galrão tem um programa na rádio Mega Hits, com o seu colega Paulo Pereira, que se chama "A tarde" das 16h às 20h de segunda a sexta. Quem não ouve a Mega Hits? Ninguém, pois claro... A Filipa é uma das vozes inconfundiveís da rádio! 

Conheça-a melhor:

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RD: Quando nasceu essa tua paixão pelo futebol?
Filipa: Não me lembro bem. Lembro-me que a minha irmã mais velha era fanática pelo Benfica e eu achava que ela era "tonta" quando o Benfica perdia e ela já não jantava.

Depois, fui com o meu pai ao estádio antigo, tinha 10 anos, e empatámos com o Vitória de Guimarães. Fiquei tão chateada que percebi que, possivelmente, estava a ficar igual à minha irmã. Na escola sempre joguei futebol e acho que até comecei a gostar primeiro do desporto e só depois do clube. Agora é ao contrário (risos).

RD: Esse jogo foi quando foste ao estádio pela primeira vez?
Filipa: Sim. Não me lembro bem do ano mas empatámos a 1 bola.

RD: Foi mesmo marcante então? E sentes que sempre foi fácil para ti dar a tua opinião sobre futebol?
Filipa: Entre amigos, sim. Publicamente nem tanto. Só me tornei sócia quando comecei a trabalhar (porque o meu pai nunca me quis pagar as quotas, disse sempre que, se eu queria ser sócia, tinha que ser com o meu dinheiro), então comecei a ir a todos os jogos e a falar mais do Benfica na rádio.

Não sou jornalista e, portanto, sou livre de dar a minha opinião num programa de entretenimento como o que eu fazia na altura. Mas cheguei a receber mensagens muito feias e algumas ameaças. Por outro lado, também comecei a receber o apoio e a consideração de mais benfiquistas e de pessoas que gostam de futebol.

Não me arrependo de expor aquilo que sinto em relação a uma paixão, como a que tenho pelo clube. É o mesmo que gostar de cor-de-rosa ou botas de salto alto. Mas eu percebo, a paixão por algo pode fazer as pessoas perderem a cabeça.

RD: Mas achas que essa mudança se deveu a alguma situação em específico? Houve algum momento em que pensaste que, a partir dali, não ia haver mais receios em expor a tua opinião?
Filipa: Tentei sempre dar a minha opinião respeitando os demais adeptos dos outros clubes. Nunca fui ofensiva ou desconsiderei os que não gostam do Benfica. Nunca tive propriamente medo em expor a minha opinião, tenho só o cuidado de a expor da melhor maneira.

RD: Essas mensagens e ameaças de que falas, surgiam sempre da parte de homens?
Filipa: Não.

RD: Mas nunca sentiste, da parte deles, um certo menosprezo quando davas a tua opinião?
Filipa: No geral, não. Compreendo que o futebol é algo que culturalmente está mais enraizado naquilo que é considerado masculino. Talvez os homens desconsiderem mais a minha opinião mas eu, pessoalmente, nunca o senti.

RD: Achas que nos podes contar uma daquelas situações de que falavas à pouca? Das mensagens e ameaças? Alguma das que te tenha marcado mais?
Filipa: É fácil falar quando se está por detrás de um ecrã e com um teclado à frente. Foi isso que aconteceu, um destilar de ódio só porque sim. Nada de mais.

Num dos casos, com um adepto do futebol clube do porto, que disse que eu nem devia por mais os pés na sua cidade, as coisas ficaram acesas no meu facebook mas, tinha tanta gente a defender-me e obviamente a condenar os disparates que ele disse, que ele acabou por voltar atrás na ameaça. Pediu desculpas e ainda se ofereceu para me pagar uma francesinha (risos). Era de aproveitar! (risos)

RD: Na tua família o futebol sempre foi tema de conversa?
Filipa: Sim, mas não há grandes fanáticos. Acho que vou ser a primeira (risos). O meu pai é um grande benfiquista, mas faz parte daqueles que estão sempre a dizer mal. Eu sou o oposto, defendo os jogadores todos (até os menos bons) até à morte. O meu marido é ainda pior do que eu e acho que isso também ajudou.

RD: Então essa paixão foi transmitida pela irmã mais velha? Ou o pai também ajudou?
Filipa: Os dois, mas a minha irmã entretanto casou com um sportinguista doente e deixou-se de "futebóis". Desconfio que nem veja os jogos.

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RD: Qual foi o melhor jogo que viste na luz?
Filipa: Um Benfica - Porto para a Taça de Portugal. Tínhamos perdido 1-0 no Dragão na primeira volta e, na Luz, entrámos a perder e acabámos a virar o jogo com um golaço do André Gomes. Ganhámos 3 -1 e fomos à final com o Rio Ave. Foi um jogo intenso, não só porque tínhamos perdido na primeira volta mas porque este era o ano após aquele em que tínhamos perdido tudo e sabíamos que não podia voltar a acontecer. Acho que foi neste jogo também que passámos todos a acreditar a 100% que, afinal, tínhamos equipa para voltar a ser campeões.


RD: Como foi viver o minuto 92?
Filipa: Foi horrível! Estava a ver o jogo na casa do Benfica da Malveira e chorei pela primeira vez por causa de um jogo. Foi uma conjunção de fatores que acontece uma vez na vida: aquele minuto, aquele ângulo impensável da bola antes de entrar na baliza, aquela equipa adversária, aquele que era o pior resultado possível. Tudo aconteceu e tudo se perdeu em segundos.


RD: Como foi viver o tri-campeonato?
Filipa: Foi como viver o Bicampeonato ou qualquer outro! Quando somos campeões sentimo-nos como aqueles pais mega babados e orgulhosos dos feitos dos filhos. Uma felicidade pura e bonita.

RD: Quais são os teus ídolos no Benfica?
Filipa: Pergunta díficil porque, ano após ano, apaixono-me por meio plantel. Mas dos que ficam para sempre: a dupla Eusébio e Mário Coluna, Nuno Gomes e Pablo Aimar.

RD: Preferias ver o Benfica ganhar o 36 ou o ver o Eusébio a jogar ao vivo?
Filipa: O Eusébio é um símbolo benfiquista  e nacional e, mesmo não o tendo visto jogar ao vivo, o que vi na televisão já me chega para perceber a sua importância em campo e como o jogo evoluiu tanto desde aí. Preferia, por isto, ganhar o 36, porque os meus olhos estão sempre no futuro.

RD: O que achaste da saída do JJ para o Sporting?
Filipa: Não fiquei nem surpreendida nem indignada, como alguns. O Benfica nunca foi nem nunca será o seu treinador! O Benfica somos nós, os que amamos o clube e o resto é negócio.

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RD: Costumas ver muitos jogos fora?
Filipa: Com o aproximar do final da época, vou mais aos jogos fora. Na zona de Lisboa tento ir sempre e depois escolho mais um ou dois a Norte. Falta-me fazer o "check" aos estádios madeirenses.

RD: Tens alguma conselho que possas dar aquelas mulheres que têm receio em dar a sua opinião, mas que gostam de futebol?
Filipa: Nada temam! Toda a gente é livre de dar a sua opinião, e o género não deve ser sequer um critério na altura em que decidimos fazê-lo. O facto de sermos mulheres não torna a nossa opinião menos válida. Até acho que conseguimos ver coisas nas quais só a sensibilidade feminina repara.

Não sei se é por ser mulher mas não chamo nomes a árbitros e para mim os golos eram todos marcados de calcanhar porque é um movimento que favorece imenso a postura do goleador em campo.

Mas ainda bem que somos diferentes. Diferentes perspetivas e opiniões só enriquecem a discussão!

RD: Imaginas-te num programa de comentário futebolístico?
Filipa: Porque não? Ia só ter que estudar mais um bocadinho porque não decoro datas nem penaltis mal assinalados. A minha paixão vem mais do coração do que do cérebro

RD: Qual achas que é a justificação para que seja o sexo masculino denominador nesses programas?
Filipa: Porque tal como em muitas áreas da sociedade não existe abertura para que as mulheres participem. Não é por mal, é cultural. Mas não concordo nada!


RD: Achas que um dia vamos poder ver mulheres nesses programas a fazerem o seu comentário há actualiadade futebolística? Na política já mudou, o que achas que deve acontecer para mudar no futebol também?
Filipa: Claro que vamos. É só elas começarem a aparecer por aí a dar a sua opinião e rapidamente os editores, diretores das estações vão pegar nas que achem relevantes e convidá-las para isso. Penso que seja uma questão de tempo!

RD: Já que temos tantos programas de comentário desportivo e soam todos ao mesmo, porque não misturar mulheres para a coisa ganhar outro ânimo?
Filipa: Concordo, como são tantos acaba por ser uma monotonia, todos falam do mesmo e todos acabam por dizer basicamente as mesmas coisas

Só é preciso ter cuidado com a objetificação feminina que tão facilmente acontece nestas coisas. Que se convidem as mulheres porque elas têm voz, algo para dizer e não porque são giras ou porque têm cem mil likes no instagram. Que seja por serem relevantes a fazer o seu comentário.

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RD: Já estás melhor do gémeo?
Filipa: A minha famosa nódoa negra! Muito melhor do gémeo, obrigada. Mas julgo que esse jogo no Bessa me transformou para sempre numa pessoa hipertensa.

RD: O que pensas do futebol neste momento? Visto que há muitas polémicas em volta deste desporto!
Filipa: Sempre que um desporto, ou o que quer seja, movimenta multidões, os interesses comerciais e económicos vão sempre ter o seu papel. No entanto, são mais os que apreciam futebol por amor do que por dinheiro e, enquanto assim for, o futebol terá o seu encanto. Para mim, a "verdade desportiva" reside na paixão que todas as semanas movimenta mihares e milhares de pessoas a um estádio pelo simples prazer de apreciar um jogo. Isso sim, é de verdade.